sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ordem direta da vida

Singela poesia
Cheia de beleza
De voltas do saber
Hoje para ti
Resolvi minutar
Escrever
Relatar

Da certeza que tenho
De tão grande pessoa
Não poder comparar

Mas em versos pequenos
Com riquezas infindas
Tentarei te explicar.

És a norma culta que me rege
Inspirando-me na mais sublime ordem direta
Tomando minha alma
E preenchendo-a do mais puro prazer de viver
Em versos de afeição
Em versos de meiguice

O transobjetivo de suas palavras
Serve de ligação
Em qualquer situação

Conjugando o mais puro tempo verbal
Que concorda com tudo
Que concorda com o belo
Que concorda com o amor

És tão perfeita quanto um pretérito perfeito
Mais que perfeito!
Um presente contente
Um futuro seguro

Tens o beneplácito de inspirar meus romances
Que nem mesmo Guimarães Rosa
Com sutis concordâncias
Conseguiu expressar

Contém o bálsamo que exerce a função em meu “sê”
Tão acentuado quanto um espada cortante
É teu carinho

Por teus méritos foram propostos
Tanto no romantismo
Quanto no realismo
As mais nobres e excelentes mudanças

Às artes barrocas ofuscaste
Sendo obra perfeita
Jamais esculpida

Conjugais em ti o verbo do amor
Onde em nenhum tempo verbal
Igual
Jamais existiu

Concordas as mais belas mensagens
Onde os ofícios escritos
Remetem a corações contritos
Craseados frente ao paralelismo sintático que em nós existe
Sendo eu o agente passivo dessa relação de amor
De carinho
De afeto

Das palavras por ti proferidas
Escuta-se o belíssimo bom som
Em curtas frases
Em orações de carinho

E no processo mnemônico da vida
Esforço-me pra lembrar
De todos os momentos
De felicidade
De alegria
De bondade

Em que parafraseamos o bem
Para estarmos juntos
Como inseparáveis dígrafos
No único fonema
Nosso coração

Onde nos encontrarmos
Como consoantes amigas
Sem brigas
Sem intrigas

És a gramática que norteia minha vida
Querida!
És o alfabeto que trás brilho a minha existência
Dando razão a minha escrita
Transparecendo meu sentir

Reiterados pleonasmos
Sem vícios de linguagem
Não se cansam de expressar
Pois possui muita grandeza
Com vocábulos infindos

Não és tu facultativa em meu ser
Pois me fazes reviver
Sendo obrigação do vivido
Pois me trazes sentido

Com sua regra ortográfica
Que domina minha sina
Posso escrever os mais lindos poemas
Cheios de graça
Cheios de versos
Cheios de metáforas

És o homônimo de minha alma
Possui o poder de exercer a função principal de meu tudo
És responsável pela análise sintática perfeita
Que desvenda minhas orações
És o hífen inseparável
Que me prende a ti

És a introdução
És o meio e o fim
Da redação que me leva à conquista

Sendo tópico frasal insuperável
Presente a todo o momento

A melhor
Em gênero
Número
E pessoa
Inflexível!

Traz a suma viva tradução
Da bondade esculpida
Nos glossários
Dos livros jamais escritos ou vividos

E ainda que o barbarismo expresso
Que a cacofonia desenfreada
O terror vocálico manchado
Atravessar a briosa eufonia
Tu destróis o acentuado diferencial
Fazes com que tremas se extingam
Pois tens o poder
De fazer reviver

És a vírgula que me contém
O parágrafo que me separa
Os dois pontos de minhas histórias
O poema incomparável
Que inspira
Que liberta a alma
Que faz chorar

Minha querida!
És Minha vida!

Meu portal
Meu ponto final

Ato Jurídico Perfeito

ATO JURÍDICO PERFEITO


Querida!
Neste dia despertei com animus de amar,
E nessa ordem do dia,
Gostaria de proclamar
Sem mais delongas
A abertura da sessão
Que expressa sua ternura.

Quando dizes
Que fui feito para pleitear ao teu lado
No tribunal da vida
Teus carinhos eternos
Tua ternura singela

Com a devida vênia!
Não sei se teria o devido preparo
Pois teria quesitos
Que não responderia eu a contento
Os quais não permitem entender
O poder constituinte de tanta beleza,

És um ato jurídico perfeito!
De tão majestosa que és!
És protegida!
Figuras no rol das Cláusulas Pétreas!
Coisa soberanamente julgada
Não existindo recurso ou ação
Capaz de modificá-la!
Apoucado sou em direito comparado a ti.

Tens a imunidade dos deuses
Fórum privilegiado das mais honrosas damas
Foste proclamada!
Norma amável
Magna das beldades!
Ao som da democracia perfeita!

Com enorme prazer
Sofreria o bis in idem
Do teu beijo

Apegando-me a diligências
Pra encontrar o liame que nos une
O nexo de causalidade de tão irreprochável sentimento
Corolário da natureza
Que faz com que não te esqueça
Que faz com que esteja firme
No propósito de ter a ti

E se por algum motivo
A lide que transgride a razão
Colacionar reiterados julgados em desfavor de ti
Executando a dívida da amargura
Fazendo-te sucumbir ao arrepio da solidão
Trazendo a termo
A segurança sentida
Tornando indiscutível a relação
Imutável
Sem esperança

Ainda assim
Seu sorriso concede a mim
A inspiração de uma excelente
Ação rescisória

Onde os tribunais da tristeza
A suprema corte da amargura
Não vêem outro caminho
A não ser
Conceder o Habeas Corpus da felicidade

E em decisão unânime
Promovem a concessão da liberdade
Face as irrefutáveis provas de meu amor por ti!

E se de outra forma
Em outro tempo da vida

Em posição de magistrado
Mesmo intempestivo para ter a ti
Não deixaria sua causa ser julgada por outro
Mas
Ao alvedrio da incompetência relativa
Acolheria a demanda
E faria prorrogar a mim

Para que com alegria
Extra,
Ultra petita
Prolataria a sentença
Mesmo que absurda!
Mas que possa delegar ao carinho
A competência absoluta de te amar

Ainda que não acolhida pela razão
E usurpando o poder judicante
Sofreria o aberratio
De não pertencerdes a minha função jurisdicional

Dominius litis seria em seu favor!
Pleitearia a sua causa!
Temeria deixar seu recurso deserto
Aforando extraordinariamente minha alma por ti

Ainda que o anacronismo da vida
Venha trazer a morte do companheirismo
Ainda que o ciúme legiferante
Venha a revogar nossa lei de paz

Tu podes
Com competência exclusiva
repristiná-la!

Ainda em um diferente momento
Em que ocorra reconvenção
Que tu serias meu patrono
E desta vez
Eu preso e perdido
Aprisionado pelo medo
Sozinho sem estar só

Esperando somente
O teu mandado
Que traz segurança
Livrar-me do tempo excessivo
Em que estive preso no cárcere da agonia

Outrora envenenado pelos dardos do passado
Agora tenho a livre iniciativa
A dignidade humana
Garantida pelo direito de te amar
Concedida pela tua soberania
Com plena eficácia

És o mais nobre e sublime dos preceitos!
Pertence ao rol das Cláusulas Pétreas
Com núcleo imodificável!
Intocável para abolir!

És a demanda mais digna
Mais sublime
A qual corte alguma
Em tempo algum
Teve a honra de julgar

Transcendental em majestade
Tão perfeita em plenitude
Mais querida entre as leis vivas

E se na presença de tanto não bastasse
E se de tudo
Outra vez
Estivesses tu em meu lugar

Seria eu
Teu defensor dativo
E quando a oposição da tristeza te combater
E o terrível membro do parquet
Com suas denúncias atrozes
Requerer a injustiça contra ti
Saiba
Que não serás revel!
Estarei ali
Não deixarei que deneguem a ti
A segurança pleiteada
E nas horas mais escuras
Onde a luz do ordenamento pátrio não te acolher
E se o socorro querido intempestivo for

Serei sempre seu recurso adesivo!
Sem supressão de instância!
Sem supressão do meu amor por ti

E se por alguma intempérie
Restar ainda a ululante litigância de má fé
A qual possa tornar impossível a vitória
Ou mitigar a meu direito de te amar
Não declinarei da competência
Permanecerei firme

Sendo a comoriência
O único modo de me tirarem a vida
Pois viver sem te ter
Seria uma demanda perdida
Sem possibilidade de emenda
Fenecida
Destruída

Mas guerrearei
Batalharei pra trazer a ti o provimento
Reconhecido
Admitido

E ao vergastar a conquista
Pela sentença sentida
Sentença não sendo formal
Sentença final
Sem mais nada a prover

Como tudo bem relatado
E livre dos demais
Em minhas alegações finais
Posso agora afirmar

Teremos regozijo
Partilharemos mais sublimes e imensuráveis honorários
Jamais percebidos
Jamais desfrutados
Honorários do amor perfeito
Com a nobre causa vencida

Destarte
Agora indiscutível
Com adquirido direito
Tão zelado e perfeito
Viveremos o amor
Sem retorno da dor.
Com todo poder de constituir
Emanado
Protegido
Escondido, mas reconhecido
Em ti
Pequena alma gêmea
Pequena Pérola da lei


Eduardo Vilar

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Poesia sem sentido

Parece que o dia vai acabar:
Uva
Chuva
Sei lá!
O que o poeta quer falar?

Que e mais esotérica?
A lógica aristotélica?
Não sei.
Parece um pouco irônica,
A hermenêutica platônica

Tinha que ser proibido
Escrever poesia sem sentido

Com já foi dito por Sócrates
Só sei que nada sei

Eu?
Nem isso eu sei!

Eu escrevo
Escrevo
E escrevo...

Escrevo a emoção
Escrevo a solidão
Escrevo a compaixão

Mas quando questionado sobre seu sentido
Sinto-me perdido

Da até pra sentir
Falta de criatividade?
Pode ser;
Mas escrever e meu dever!

Como poeta que sou
Escrevo
Pra “ser” sentido
Em vez;
De “ter” sentido

Poeta nato que sou!
A lógica não questiono
Pois dela não sou dono

E desprovido de tal talento
Escrevo
Até isso eu não sei
E se soubesse eu saberia
Mas escrevo
E escrevo

Não sei sobre o que escrevo
Nem sei por que escrevo
Nem sei também se devo
Pior!
Pra que tanto “excrevimento”!
É sem o “vi” se estais atento!

Só sei que eu escrevo
Escrevo
E escrevo.